Vamos criar o Feboacaf

Febeapá, mais atual que nunca


Outro dia escrevi aqui sobre as singularidades de Cabo Frio, que precisa olhar para o seu futuro próximo, tentando manter algumas das suas características principais. Dentre as quais, eu listo aqui – e não o fiz antes por absoluta falta de tempo – se destacou, desde sempre, a curiosidade que o povo daqui tem em relação às novidades.
O que acontece é que essa curiosidade sempre criou, ao longo da história, lendas, causos e mitos que passaram de geração em geração dos nascidos na cidade. Alguns, mais antigos, já foram relatados aqui pelo Claudio Machado. Outros, não tão antigos, volta e meia são citados por alguns, meio de gozação, meio sério.
Quem aí se lembra do “Monstro de Cabo Frio”, que virou matéria do Fantástico e letra de samba-enredo no início dos anos 80? E as histórias sobre os antigos apelidos dos bairros de Cabo Frio?
Pois é. Mas nos últimos tempos, essa característica do cabofriense ser um bicho curioso se tornou um problema. Não sei se por algum descuido – ou pela facilidade com que a informação corre hoje, graças ao celular, às mídias novas, redes sociais e tudo mais – o que mais se tem em Cabo Frio é boato. De todo o tipo: grande, médio, pequeno. Inofensivo ou muito perigoso. Com anúncio de carro de som, por telefone, SMS ou foguetório. Enfim, basta escolher.
Esta semana, a onda de boatos passou dos limites. Claro que as coisas na cidade fugiram do controle no que tange à segurança – não se pode aceitar que alguém que luta pra caramba pra comprar um carro tenha seu veículo incendiado assim, do nada. Mas a coisa foi crescendo como uma bola de neve. Ameaça de arrastão, de fechamento do comércio, até um festival de ligações e informações das mais estapafúrdias.
Se tivesse acontecido em Cabo Frio metade do que foi dito no Twitter e nas ligações que eu recebi na quinta e na sexta-feira, a esta altura, a cidade estaria meio que aqueles vilarejos de filmes antigos de faroeste.
Já que a propensão em espalhar os boatos mais malucos sem a mínima responsabilidade meio que virou norma por aqui, peço licença para adaptar um clássico de Stanislaw Ponte Preta (pseudônimo do genial Sérgio Porto), publicado em 66, mas que quase meio século depois, continua atualíssimo. Tô falando do livro “Febeapá – Festival de Besteiras que Assola o País”, que aliás, foi um dos primeiros livros “adultos” que eu li.
Nesta minha adaptação, vamos criar um evento similar ao Febeapá, o Feboacaf. Festival de boatos que assolam Cabo Frio. Daí a gente vai criando umas categorias meio loucas, ou, como fez Ponte Preta, pegando declarações verídicas, que de tão descabidas, acabaram virando expressões utilizadas até hoje.

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