E aí que, em tempos onde as notícias correm com uma velocidade impressionante, eu ainda me impressiono como as pessoas podem ser mesquinhas – pra não dizer, ridículas. Quem me conhece sabe que eu abomino o “politicamente correto”. Acho que isso é uma praga que está estragando as relações humanas, transformando qualquer opinião contrária em “algumacoisafobia” e criando uma legião de pessoas movidas a mimimi. Não sabem argumentar, não sabem chorar, apenas se sentem discriminadas, prejudicadas, tolhidas dos seus direitos.

As opiniões, hoje em dia, também são muito extremadas. E o pior: principalmente nas redes sociais, a possibilidade de diálogo, de debate de ideias, está sumindo. É o meu pensamento o que conta, e se você tem uma opinião contrária, foda-se, guarde pra você. Estamos vivendo momentos difíceis, e essa beligerância, essa coisa de vivermos em guerra o tempo todo, em estado de tensão o tempo todo, só amplia isso.

A vida é simples: respeite o direito do próximo que o seu também será respeitado. Preconceitos? A semântica da palavra já diz: pré-conceito, um conceito estabelecido anteriormente ao que se vai estudar/conhecer. Luto pra caramba contra os meus. Já mudei minha opinião em muitos assuntos, mas em outros, ainda tenho dificuldade em assimilar ou concordar. É ruim, não é fácil de admitir, mas tento melhorar um dia por vez.

Por exemplo: uma coisa que me incomoda é o termo “afrodescendente”. Claro que eu sei do que se trata, de como surgiu o termo e da ideia de “lutar por igualdade de oportunidades que foram negadas em cinco séculos de história do país etc etc etc”. Assim como o “gerundismo” do telemarketing, a questão foi adaptada dos EUA e sua relação com os “afroamericans” e demais “minorias”.

“Ah! Mas você é negro! Deveria concordar com isso…”, vão dizer (já me disseram). Deveria? Por quê? Acho a luta válida e justa, mas não estou inserido nesse contexto de luta. A discriminação existe, está aí até hoje e também já fui vítima. Mas reduzir tudo a um termo – e pior, achar que tudo ao contrário desse termo é “ofensivo”, é “racismo” – não me parece nada razoável.

Me orgulho de ser PRETO, já expressei esse meu orgulho de várias maneiras (escrevendo, com camisetas e ações). Mas isso era uma coisa minha, individual. Não um manifesto ou uma integração a nenhum movimento. Não quero me chamem de “afrodescendente”. Como está na moda dizer, esse termo não me representa. Me orgulho da pessoa que eu sou, e isso não tem nada a ver com a quantidade de melanina da minha pele. Tem a ver com o que meus pais me passaram, com o que eu conquistei, com meus erros e acertos ao longo da vida.

* * *

A foto que ilustra esse post rodou os principais portais do país ontem. Em uma padaria gaúcha, o tradicional bolo “nega maluca” foi rebatizado. Virou bolo “afrodescendente”. Se é esse tipo de medida que se imagina que vá combater o racismo, o preconceito, a discriminação, parem: simplesmente parem. Por favor.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *