“Quem é Cristiano Araújo? Eu não conheço, nunca ouvi falar. Pra que esse estardalhaço?”. Foi uma das frases mais ouvidas e lidas essa semana.

Ontem, um amigo que trabalha com Comunicação Social definiu bem: o etnocentrismo do Brasil ficou exposto na cobertura da imprensa sobre a morte do cantor Cristiano Araújo.

"Empinadinha", um dos primeiros sucessos do goiano Cristiano Araújo

“Empinadinha”, um dos primeiros sucessos do goiano Cristiano Araújo

O cara é muito conhecido em grande parte do Brasil, principalmente nos Estados do Nordeste e onde o agronegócio impera, mas é um estranho nas duas principais capitais do país, Rio e São Paulo (e isso não tem nada a ver com preconceito geográfico ou de estilo musical). Nenhum desconhecido lota shows país afora, tem agenda marcada com três meses de antecedência ou leva 40 mil pessoas ao seu velório.

Além de tudo, a trágica morte do cantor e da namorada, além do aspecto comercial (ele é artista do cast da Som Livre, um dos grandes vendedores nesses tempos bicudos pra música) colaborou para a amplificação da cobertura. Mas isso é normal. Grande parte das pessoas nas redes sociais acha que o mundo gira em torno do próprio umbigo (a famosa síndrome do Sol).

Por fim, há a hipocrisia em muitos comentários que eu vi, na linha “um absurdo perder tanto tempo com um desconhecido, enquanto gente comum morre todo dia”. Gente do showbiz, atletas, políticos e alguns empresários NÃO SÃO pessoas normais no que se refere à cobertura de mídia, exposição na imprensa, salários. É assim que funciona. Essa igualdade que pregam é linda, mas não funciona em lugar algum do mundo.

E pra quem não sabe o que é etnocentrismo, vai aí a definição:

  1. substantivo masculino
    antrpol visão de mundo característica de quem considera o seu grupo étnico, nação ou nacionalidade socialmente mais importante do que os demais.

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